“Ser poeta é tirar de onde não tem e colocar onde não cabe”

Postado por Zé do Cerrado | | Posted On domingo, 10 de janeiro de 2010 at 11:44

Repentistas comemoram a “profissão”, mas dizem que ainda falta muito para serem reconhecidos como tal





  • Ana Clara Brant


    Rafael Ohana/CB/D.A Press

    Grupo de poetas cantadores na Feira da Guariroba: luta para que o repente seja um patrimônio imaterial reconhecido pelo Iphan



    A frase ao lado é de um dos maiores repentistas de todos os tempos, o paraibano Pinto do Monteiro, também conhecido como a Cascavel do Repente, e, também, uma espécie de lema de vida para boa parte desses artistas do improviso. O colega e cearense Francisco das Chagas, 35, vai mais além: ser repentista é matar um leão por dia, é ir ao show sem saber o que vai fazer. “Uma luta diária, sem dúvida. Mas que vale muito a pena”, destaca.

    Essa arte secular veio para o Brasil no início do século 19. Trazida por trovadores portugueses, espanhóis e franceses, incorporou o jeitinho tupiniquim de ser, ou melhor, o jeitinho nordestino, tornando-se certamente um dos principais patrimônios do Nordeste.

    “Ela chegou ao Brasil na região da Serra do Teixeira, divisa entre a Paraíba e Pernambuco, trazida pela literatura de cordel e hoje é uma das marcas do povo nordestino, especialmente dos paraibanos, pernambucanos, potiguares e cearenses”, explica o presidente da Associação dos Cantadores Repentistas e Escritores Populares do DF e Entorno (Acrespo), Chico de Assis, 47 anos.

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